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Entrevista com Marcelo Canellas

Em fevereiro de 2011, o repórter especial da TV Globo, Marcelo Canellas, realizou uma palestra na aula inaugural do curso de jornalismo da UFMS. Naquele ano, éramos recém-formados e ainda amadurecíamos a ideia da nossa produtora audiovisual. Uma das nossas vontades era de fazer entrevistas com perfis interessantes. Quando soubemos que o Canellas daria a palestra na universidade, achamos que seria uma boa oportunidade.

Muitos palestrantes vêm a Campo Grande mas passam despercebidos pela imprensa, e assim perde-se material muito bom para entrevistas. Não perdemos essa chance de começar.

A conversa

Canellas é um dos repórteres mais premiados do telejornalismo brasileiro. Seu olhar sobre a profissão parte da perspectiva de que o jornalismo trata das contradições da vida. Dessa forma, é na cobertura de temas sociais que se destaca, ainda que também desenvolva outros assuntos, seja na televisão, seja em crônicas publicadas em jornal impresso.

Além da maneira com que aborda as pautas, encontramos na construção textual um dos elementos mais marcantes do estilo de Canellas. Por exemplo, quando, na premiada série “Fome”, o repórter diz:

Uma tragédia a conta-gotas, dispersa, silenciosa, escondida nos rincões e nas periferias. Tão escondida que o Brasil que come não enxerga o Brasil faminto e aí a fome vira só número, estatística. Como se o número não trouxesse junto com ele dramas, histórias, nomes.

Ele não apenas passa uma informação. Ele opina, provoca, faz refletir. E ainda que haja uma poética na escrita de Canellas, ele consegue ser objetivo.

Também chama a atenção sua maneira de entrevistar os personagens e a sua criatividade nas passagens, quando o repórter aparece na matéria falando com a câmera, seja dentro de um ônibus em movimento, em cima do lombo de um jegue ou escondido no interior de um casebre.

Buscamos intercalar entre as respostas da nossa entrevista algumas cenas de reportagens que revelam essas características.


Início da produtora

Gravamos esta entrevista em 2011, com equipamentos bem mais limitados do que temos acesso hoje. Por isso, várias falhas podem ser percebidas, como “pipocos” no áudio, imagem cheia de ruídos, dificuldades de enquadramento.

Além dos limites técnicos, ainda enfrentamos naquele dia a dificuldade de fazer uma entrevista às pressas, já que conversamos com Marcelo Canellas assim que ele acabou a palestra. Note que estamos no palco do anfiteatro do CCHS da UFMS, a luz do data show ainda está acesa, reflete no entrevistado, e há muita conversa de fundo.

Ainda assim, fizemos questão de aproveitar o material. Além de ser uma boa oportunidade, principalmente para quem quer atuar na área de jornalismo, ouvir o que Canellas diz, nós também pudemos experimentar algumas técnicas na edição do material.

Como utilizamos vídeos de reportagens que pegamos do youtube e, geralmente, a qualidade deles é reduzida e fica ruim quando está em um vídeo de alta definição, nós criamos uma estética, utilizando TVs e efeitos para parecer que essas imagens eram reproduzidas nos aparelhos, que na verdade só serviram de moldura para maquiar a qualidade das imagens. Gostamos do resultado e acabamos utilizando a ideia no documentário O Que Era Aquilo?, realizado meses depois.

Também usamos a entrevista para treinar técnicas de correção de cor na hora de editar, ainda que o resultado tenha sido prejudicado pelas condições precárias da hora em que gravamos (noite, sem luz suficiente, ambiente interno).

A entrevista foi curta, mesmo assim dava para reduzir na edição. Só que, na época em que fizemos o vídeo, havia poucas entrevistas com Marcelo Canellas no YouTube, pensando nisso, deixamos a maior parte do que ele falou, esperando que sirva para quem estiver interessado em conhecer um pouco mais sobre ele e sobre a profissão.

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